segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Segredos em uma história




Olha quem chegou com um novo post para vocês.


Sabe aquele seu segredinho que ninguém conhece? Uma opinião que nunca deu, um ato que jamais confessou ou aquele sentimento sufocado que ninguém sabe? Bem, você não é o único. Todo mundo guarda seus segredos, muitas vezes até de si mesmo. Seja por vergonha, conveniência, auto-proteção ou segurança.

Mesmo em níveis menores, sempre nos preservamos o direito de esconder ou "trocar" informações pessoas dos recém-conhecidos, principalmente na internet.

E por que nossos personagens deveria ser diferentes?

Nas histórias, os segredos dos personagens são fundamentais para construir um relacionamento realista entre eles e uma carta na manga para o autor tornar a trama mais instigante, deixando aquela coceirinha na cabeça do leitor: "será que agora ele vai confessar?", "será que dessa vez ela finalmente vai ser descoberta?".

Mas como assim, "os segredos são fundamentais para um relacionamento"? Não é um contrassenso? Sim e não. Os personagens, em sua grande maioria, devem crescer, amadurecer e aprender algo ao longo da história. O relacionamento entre eles também deveria ser algo a ser construído aos poucos. Uma das coisas mais precárias nos primeiros passos do relacionamento entre duas pessoas é a confiança.



Perscrutando a persona

Segundo a psicologia analítica (de Carl Jung), as pessoas aprendem, desde seus primeiros contatos com a sociedade, a desenvolver sua "capa protetora", a persona. Esta nada mais é que uma função psíquica que desenvolvemos para nos adaptar ao meio que nos cerca. Desde a infância, se percebemos determinada característica em nossa real personalidade que não agrada a sociedade, nós a escondemos.
Muitas vezes isso se aprende com traumas, agressões e rejeição. O contrário também é válido; se descobrimos que algo é muito valorizado pelas pessoas ao nosso redor, procuramos aprender e nos adaptamos àquilo para agradar e ser aceito. É um jogo de sobrevivência na selva da adaptação social, onde as personas mais fortes e convincentes sobrevivem.

Porém a persona prejudica nossos relacionamentos. Enquanto ainda não nos damos conta disso, é ela quem se apresenta às pessoas. É com a persona do amigo o colégio que você se relaciona, e não com a pessoa propriamente dita.

Pare e pense: quantas vezes você já se deparou com situações em que seus amigos se mostraram completamente diferentes daquilo que você estava acostuma a conviver? Quantos conhecidos não mostram um lado mais sensível, triste, solitário ou até mesmo cruel, que você nunca tinha vista antes?

Quantos casais vivem juntos há anos sem sequer arranhar a superfície da persona um do outro?

Vivemos em um teatro onde cada um representa o papel que melhor lhe apetece, procurando agradar o maior número de pessoas à custo de sua integridade e autenticidade. Como em um reality show, só que sem o "glamour" das câmeras.



A vida imita a arte

Nas histórias, esse conceito pode tornar uma trama simples e tediosa em algo muito mais interessante. Tomemos como exemplo a série romântica japonesa Karekano (Kareshi Kanojo no Jijou). É a típica história de romance escolar entre garota atrapalhada e garoto exemplar. Mas o grade diferencial no início são os segredos ocultos.

Os primeiros capítulos giram em torno do conflito entre a persona e a consciência dos personagens principais, Yukino Miyasawa e Arima Soushirou. Ambos escondem suas facetas obscura sob uma identidade falsa, construída para que fossem aceitos e bajulados. Acompanhamos a história pelo ponto de vista de Miyasawa, logo, conhecemos todos os segredos que ela esconde dos demais personagens e nos divertimos com as complicações de sua vida dupla.

No entanto, quando ela fica intrigada com seu rival, Arima, percebemos que ele também guarda segredos, mas não sabemos qual (acompanhamos a história pelo olhar dela, lembra?) até que ele resolve contar tudo para a garota. Isso é uma técnica eficaz e muito usada para surpreender tanto os personagens quanto o leitor.

Outro exemplo de série que utiliza muito este recurso é Supernatural. Desde o início vemos um Sam escondendo seu "lado negro" do irmão, que, por sua vez, esconde o que precisará fazer a respeito. Muitas vezes nem o público sabe qual segredo eles estão guardando, mas é perceptível pelo olhares e tom de voz que estão mentindo ou que não querem dizer algo importante.



Crescendo

Mas não é porque este comportamento é "natural" do ser humano que devemos seguir este modelo do início ao fim da história Como disse antes, os personagens devem crescer, e esse é um bom aspecto para trabalhar a evolução deles. Você pode fazer com que aos poucos mudem de atitude e aprendam que melhor do que se esconder é se mostrar e deixar que as pessoas o conheçam e o ajudem a amadurecer.

Algumas das melhores histórias já contadas são sobre a construção de um relacionamento que começou da total desconfiança e atingiu a plena confidencia. É quando uma pessoa passa a considerar a outra mais importante do que seus próprios medos e receios (medos esses que a fizeram construir a persona). Quando o medo não existe mais, tudo o que foi feito por causa dele se desfaz. Nesse instante, ela está pronta para se tornar um herói.



Isso é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.