sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Como fazer descrições




Descrição, de acordo com o dicio.com, é uma "caracterização detalhada, num processo, do que será analisado de maneira específica" (ou seja, quando você escreve sobre o aspecto físico de uma personagem sua, você está descrevendo-a). Há dois tipos de descrições: a objetiva e a subjetiva.

Descrição objetiva é quando o observador só apresenta o que pode ser visto por todos, deixando de lado suas impressões.

Exemplo:

"Sua camisa de botões está suja e prestes a rebentar, e a bermuda foi cortada logo abaixo dos joelhos. Não usa sapatos" (Craig Silvey)

Descrição subjetiva é quando o observador descreve o objeto da forma que ele vê, deixando suas impressões. É mais comum em histórias narradas em primeira pessoa.

Exemplo:

"Parece um náufrago numa ilha." (Craig Silvey)


É.... peguei os dois exemplos do mesmo livro.

Bem, de qualquer forma, descrever aparências ou não é uma opção do autor, isso é fato. No entanto, você não acha que algo importante para a trama merece sua devida atenção? E assim merecendo, também receber uma boa descrição?


Quando se deve descrever

Como uma espada em uma história de ação, por exemplo. Se ela for a arma do protagonista, você pode definir se ela é longa ou não, de que material parece ter sido feito, se tem arranhões, qual é a cor do cabo, etc. Mas se ela for a arma do vilão, todas essas descrições serão meio desnecessárias (porque eu acho que o protagonista vai estar ocupado de mais tentado desviar e/ou bloquear os ataques para ficar prestando atenção nos arranhões da arma que pode levá-lo à morte.

Isso também serve para quando se descreve lugares: se a personagem vai para um bar só para pedir um copo de água e nunca mais volta, não é necessário dizer qual o nome do bar. Não é nem necessário dizer que a personagem notou uma cicatriz no rosto do balconista, porque provavelmente ela nem vai se lembrar disso depois (a não ser que seja algo muito feio e traumatizante, diga-se de passagem).

Mas se for um bar que foi recomendado por alguém para que a protagonista receba uma informação importante para o enredo, pode fazer uma descrição básica. Dizer, por exemplo, que aquele ambiente cheirava a cigarro e que tinha lixo espalhado pelo chão não é uma má ideia. Mas caso o protagonista nunca mais volte àquele lugar, não exagere na descrição, certo?

Se você descrever muita coisa desnecessária (principalmente quando no final vai dar em nada), o leitor vai pular direto para a ação, porque vai estar de saco cheio. Não é muito legal saber que uma das pernas do banco onde o protagonista nem pensa em se sentar é maios do que a outra, e que o azulejo da parede tem quatro rachaduras. Tudo o que o leitor que saber é de algo que seja relevante para a história.

Dizer coisas como "o vilão que segurava a espada cinza tinha um metro e noventa, seus olhos eras castanhos, os cabelos eram loiros, ele tinha duas espinhas no rosto e uma no braço, que só estava visível porque dias antes ele havia rasgado as mangas de sua blusa de frio azul amassada, que fora um presente de seu padrinho na véspera de Natal de dois anos atrás." é totalmente irrelevante. Só se o vilão for importante e não morrer dois parágrafos depois, mas ainda, toda essa informação, é desnecessária. Principalmente num momento de vida ou morte, quando há uma arma apontada para a garganta do protagonista.

Uma vez li um livro onde o autor começou a narrar sobre o passado do antagonista. Na metade, já estava ficando chatinho ler sobre aquilo, mas eu definitivamente não pulei parte alguma. No final, toda aquela informação foi irrelevante para o enredo, e eu achei que foi uma benção o autor não ter começado a narrar sobre o passado do parceiro do antagonista. Mas eu acho que isso não teria sido feito, se qualquer forma, já que o parceiro nunca mais apareceu.


Como fazer boas descrições

Antes de tudo, quero que você tenha algo na cabeça: quase todo leitor gosta de usar a imaginação. Descrever de mais dá ao leitor uma perfeita imagem do objeto em questão (perfeita de mais, se me permite dizer). Como já dito antes, caso não seja algo relevante, as informações são desnecessárias.

Deixar parágrafos descrevendo a aparência e narrando sobre o motivo da criança perdida que tombou com o protagonista estar ali é... chato. Muito melhor deixar um pouquinho aqui, um pouquinho ali; pronto, o leitor já tem a sua personagem em mente. Descrições dosadas são melhores do que os parágrafos enormes, porque elas fluem naturalmente no texto, de forma tão linda que da vontade de abraçar.



Espero ter ajudado.
Por hoje é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.