segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Transtornos Psicológicos I





Oi gente!

Aqui estou eu, mais uma vez e hoje venho para falar sobre transtornos psicológicos. Ainda por cima, sobre dois muito usados em fanfics/originais policiais/criminais.

Há muito a se falar sobre Psicopatia e/ou Sociopatia.

Para começar, clinicamente falando, as duas são a mesma coisa: Transtorno da Personalidade Antissocial. É diagnosticado com a aplicação de um teste e a comparação dos resultados com a Escala de Hare, criada pelo psicólogo Robert Hare.
É composto de 20 itens de avaliação, cada um com notas de 0 a 2. Deve ser aplicada e interpretada por um profissional treinado. Nem todo psicólogo ou psiquiatra pode aplicar esse teste. O mais indicado é que seja aplicado por pessoas da área criminal ou forense.

Para não gerar mal-entendidos ou deixar muita gente aplicando esse teste de maneira errônea com os coleguinhas e com si mesmo e ficando achando que todo mundo é psicopata, eu não vou compartilhar o teste.

Segundo: os portadores desse distúrbio não são insanos. Esse transtorno ema nada compromete as capacidades mentais de alguém. Eles não são loucos.

Terceiro: uma pessoa má, não necessariamente é psicopata ou sociopata. Maldade não é algo relacionado somente a psicopatia. Uma pessoa pode ser má, egoísta e cometer grandes atos de crueldade sem ter esse transtorno.


O que define o Transtorno da Personalidade Antissocial é a incapacidade de um indivíduo sentir empatia, resultando em descaso com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com quem possuí tal transtorno.
Esse desvio de caráter costuma ir se estruturando desde a infância.
Por isso, na maioria das vezes, alguns dos seus sintomas podem ser observados nesta fase e/ou na adolescência, por meio de comportamentos agressivos que, durante estes períodos, são denominados de transtornos de conduta.
Não demonstram empatia, são interesseiros egoístas e manipuladores. Conforme se tornam adultos, o transtorno tende a se cronificar e causar ada vez mais prejuízos na vida do próprio indivíduo e especialmente na de quem convive com ele.

Um mito muito comum é associar assassinos a psicopatas e sociopatas, quando apenas 1% dos psicopatas chegam realmente a matar alguém.


Sociopatia e Psicopatia são diferenciadas mais para o uso criminal. Embora ainda não seja um fato estabelecido, os pesquisadores tendem a considerar que a psicopatia é genética. Enquanto que a sociopatia possui como causa não só a genética, a predisposição hereditária, mas também a influência do ambiente é fundamental para a sua eclosão.
Em resumo, eu poderia dizer que psicopatia é algo que já nasce com o indivíduo, enquanto a sociopatia é algo construído.

Nessa construção, fatores decisivos são uma infância com os pais ou responsáveis ausentes ou mesmo (e na maior parte dos casos) abusivos. Infância solitária em um ambiente de pobreza e/ou hostilização na escola e outros meios.
Podem ter QI (Quociente de Inteligência) extremamente alto ou extremamente baixo, emboa sejam geralmente associados com a genialidade.

Ambas têm algumas coisas em comum:

Desrespeito pelas leis e normas sociais;
Desrespeito pelo direito dos outros;
Incapacidade de remorso ou culpa;
Tendência a exibir comportamento violento ou explosões de fúria.

"Então você quer dizer que eles são anárquicos, que nem o Coringa do Heath Ledger?" Não.
Uma vez eu li um artigo escrito por uma sociopata clinicamente diagnosticada como tal. Ela relatou que uma vez ela queria subir para o segundo andar do shopping, mas a escadas rolante estava desligada e interditada.
Ela começou a subir por ali e, quando o segurança foi repreendê-la, ela quase teve uma explosão de fúria, e relatou que fantasiou em bater a cabeça dele no corrimão.
Porém, ela escolheu seguir o caminho dela. Sim, pela mesma escada.
Espero que o exemplo tenha ajudado.

Exemplo esse que também mostra o que eu venho dizendo mais acima: nem todo psicopata ou sociopata chega a ser um assassino.
Ela pode ter desejado que o segurança morresse, mas não fez nenhum movimento de violência.
Um psicopata ou sociopata não é movido por um desejo frenético de matar. Esses são serial killers, e nem todos são psicopatas ou sociopatas. É, pois é.


A principal diferença apontada entre os dois casos é que, enquanto um se encaixa perfeitamente na sociedade, se camuflando perfeitamente, o outro, nem tanto. Embora eu tenha encontrado divergência entre qual é qual, para esse artigo vou manter os termos mais usados para cada grupo.

O psicopata é charmoso, inteligente, sempre procurando agradar e construir relações de confiança. Podem subir realmente alto em empresas apenas com o poder da lábia, sem realmente mostrar algum talento no trabalho que fazem. Podem falar habilmente de países que nunca visitaram, viagens que nunca fizeram.
São mestres de falácia. São organizados e eficientes quando resolvem fazer alguma coisa. Procuram sempre cargos de poder, onde podem sentir que estão manipulando e controlando a vida de pessoas.

Um sociopata, por sua vez, pode ser bem mais emocional do que o psicopata, e tão emocional quanto uma pessoa com empatia nula pode ser. Sua principal emoção é a raiva. É impaciente, por isso não consegue subir tanto na vida como seus colegas psicopatas.
Podem viver alheios à sociedade, pois são desorganizados mentalmente e incapazes de manter um relacionamento estável com qualquer um, seja família, amigos ou colegas de trabalho.
Não necessariamente violentos, porém, possuem mais pré-disposição para tal.


Pessoas com esse transtorno mental constituem 6% da população mundial, em uma porcentagem otimista. É muito provável que você já tenha cruzado em algum momento da sua vida com um psicopata ou um sociopata, e você não faz a menor ideia disso. O disfarce social deles é praticamente perfeito.

Estudos sobre esses indivíduos são difíceis de serem encontrados, justamente porque só podemos contar com entrevistas com criminosos, que só nos mostram o que há de pior nesse transtorno. Porém, existem portadores desse transtorno que podem passar a vida inteira sem machucar ou causar um dano irreversível a alguém, em qualquer nível.

É também o transtorno que causa mais fascinação entre as pessoas em geral, que sempre tentam desvendar o que há por trás da mente de pessoas tão frias, distantes e perigosas.
Ainda que não causem dano físico, psicopatas ou sociopatas podem fazer um grande estrago na vida social, emocional ou profissional de alguém.


Espero ter ajudado vocês.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Antagonistas





Olá, queridos leitores do blog. Hoje venho com um post sobre nossos amados (ou nem tanto) antagonistas!

De acordo com o dicionário Houaiss, antagonista vem do grego antagōnistḗs (ἀνταγωνιστής) e significa "1. que ou o que age em sentido oposto; opositor. 2. que ou aquele que é contra alguém ou contra alguma coisa; adversário."
Perceba que, em ambas as definições, se fala sobre algo (ou alguém) que age em sentido contrário, detalhe valioso para se entender o que é antagonista na literatura: aquilo (ou aquele) que vai contra os objetivos do protagonista.

Historicamente, a título de curiosidade, deve-se a criação da figura antagonista a Ésquilo, um tragediógrafo grego famoso, sendo que, no início, o termo era empregado apenas para indicar o adversário principal do protagonista (ou seja, a "segunda" figura mais importante da trama".


Algumas observações importantes que você precisa ter em mente antes de inserir a figura antagonista na sua fanfic e/ou original:

Apesar de agir de forma contrária aos objetivos do protagonista, ele não é necessariamente o "vilão" da história; em certos casos, quando o protagonista é um anti-herói, o antagonista pode assumir o papel de "bonzinho" no enredo.

Ele não precisa ser uma personagem; pode ser o próprio local onde se passa o texto (o ambiente sertanejo de Vidas Secas, de Graciliano Ramos), um sentimento que o protagonista tem de enfrentar (o ciúme de Dom Casmurro, de Machado de Assis), um preconceito, desigualdades (Capitães da Areia, de Jorge Amado, trata das desigualdades socais), entre outros. Existem infinitas possibilidades.


O antagonista, assim como qualquer outra pessoa ou coisa na história, não precisa ter uma posição fixa durante todo o enredo, já que a intenção de o inserir ali não precisa ser obrigatoriamente maniqueísta (ou seja, traz uma visão dualista de Bem e Mal).

Exemplo: Vegeta, da saga Dragon Ball, era o antagonista em busca das Esferas do Dragão para obter a imortalidade e o domínio sobre a galáxia; com o passar do tempo, vendo que ele e os personagens tinham inimigos em comum, viu-se forçado a criar uma aliança com eles e virar anti-herói vingativo, buscando sempre ser melhor que Goku.


Mas, afinal, qual é a utilidade de um antagonista?

O antagonista é uma figura essencial em quase todo tipo de gênero em que seja possível encaixar personagens. Muitas histórias, na dinâmica entre os dois personagens, encontram o eixo principal de um enredo conciso, sólido e complexo. O que exige que eles tenham uma construção bem planejada. Não é preciso ir longe para descobrir isso: J. K. Rowling baseou uma saga incrível e famosa em protagonista (Harry Potter) e antagonista (Lord Voldemort).

É claro, contudo, que um enredo não se constrói apenas com isso. Mas muitos dos livros que vierem à sua mente nos próximos minutos terão essa rivalidade como o gênesis de tudo, garanto.

Sendo uma figura tão notável, é importante conhecê-la bem para criarmos nossas fanfics e/ou originais sem problemas, não é mesmo?


Como eu faço para ter um bom antagonista?

Assim como tudo humano não existe uma fórmula exata que crie magicamente um "antagonista perfeito". Entretanto, é importante que você procure ter a mesma atenção e foco na hora de criar o seu protagonista com o antagonista, pois, como já foi dito, ambos são muito importante.

Procure fugir do maniqueísmo: originalidade e/ou inovação, assim como tudo na escrita, são a alma do negócio.
E lembre-se: ainda que pareça difícil, pesquisar é muito importante e útil, afinal, é conhecendo o velho que se pode imaginar o novo.


Espero que esse post tenha ajudado-te a compreender um pouco mais sobre os antagonistas.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

Narração: Conflitos





Outro post novinho em folha para vocês.


Conflito. Algo que não desejamos em nossas vidas, mas que é indispensável para nossos queridos personagens. Afinal, sem ele não existe história.

Mas o que é conflito? Briga? Guerra? Pancadaria? Sim, mas não apenas isso. Vamos ver a definição da palavra do Diocionarioweb:

Oposição de interesses, sentimentos, ideias.
Luta, disputa, desentendimento.
Briga, confusão, tumulto, desordem.
Desentendimento entre países.
Conflito armado, guerra.

Conflito de jurisdição, situação em que dois órgãos judiciais pretendem conhecer de uma mesma questão ou a isso se recusam, por atribuir cada qual ao outro tal competência.

Psicanálise: Situação em que, no indivíduo, se opõem os impulsos primários e as solicitações ou interdições sociais e morais.


Conflito significa problema a ser resolvido. Como foi visto em outro artigo, personagens precisam de um objetivo. As metas fazem as pessoas se moverem, tomarem atitudes e fazerem escolhas. No entanto, cada movimento dos personagens, dá a você uma oportunidade de apresentar-lhes as forças do antagonismo.

O antagonismo não é necessariamente uma pessoa, embora normalmente ele seja apresentado na forma de um vilão. Mas essencialmente, é tudo aquilo que se posiciona entre a personagem e seu objetivo na cena. Todas as cenas, e a história em si, são elaborados em cima dos objetivos e dos conflitos que surgem. A estrutura é sempre a mesma:

Objetivo > ação > obstáculo


Exemplo:

Pedro quer beber água > Pedro se dirige ao bebedouro > O bebedouro está seco.


A partir disso, você pode criar toda uma cena, história ou simplesmente resolver a situação na próxima ação da personagem.

Se optar por criar uma cena inteira a partir dessa situação, você pode criar conflitos atrás de conflitos. O importante aqui é ter o cuidado de que cada novo conflito seja maior e mais desafiante que o anterior.


Exemplo:

Pedro continua com sede > procura por um bar e pede água ao atendente > o homem, meio rabugento, diz: custa dois reais. Pedro enfia as mãos no bolso e tira apenas uma moeda de cinco centavos.

Pedro continua com sede > diz ao homem que serve água da torneira > o homem diz que o bairro inteiro está sem abastecimento de água desde as sete da manhã.


Percebam que a resolução do conflito parece estar cada vez mais além da capacidade do protagonista resolver a situação.

Conflitos são naturais na vida do ser humano. Passamos por eles, muitas vezes sem perceber. Normalmente xingamos reclamamos e nos estressamos com eles. Mas precisamos entender que eles nos fazem crescer e amadurecer. Use os conflitos de sua história para criar a evolução dos personagens.



Existem três níveis de conflito: interno, pessoa, extra-pessoal.


a) Conflito Interno

São aqueles em que o conflito está no próprio personagem. Ele mesmo é sua limitação e obstáculo. Seu corpo, sua mente, seus sentimentos o atrapalham. São lutadores fracos, alunos incapazes, paqueradores tímidos, empregados incompetentes. As possibilidades são infinitas.

O mais básico dos conflitos internos é o de origem física. O personagem não tem força ou capacidade de executar sua tarefa.

Exemplo:

Naruto quer ser o Hokage > Naruto treina para aprender jutsus poderosos > Naruto é incapaz de aprender.

Keichi quer namorar com Belldandy > Keichi vai se declarar a ela > Keichi é muito tímido.


Esse tipo de conflito é interessante quando trabalhado na esfera psicológica.

Exemplo:

 Shinji quer mostrar seu valor a seu pai : Shinji resolve pilotar o EVA para impressioná-lo - Shinji é mentalmente desequilibrado e pilotar o EVA é traumatizante, o que lhe causa danos psicológicos.


Ainda temos conflitos internos de cunho sentimental.

Exemplo:

Spiderman quer salvar uma vítima das garras do vilão > Spiderman parte para cima do vilão com tudo, antes que o malfeitor jogue a vítima da ponte > O vilão é o pai do melhor amigo do herói. Spiderman precisa escolher entre matá-lo e deixar a vítima morrer.


Ou ainda alguém pode se encontrar em conflito de seus desejos contra seus princípios e convicções.

Exemplo>

Batman que deter o Coringa > Coringa só pode ser detido se for morto > Batman não mata.


Conflitos internos revelam o homem como pior inimigo de si mesmo. Lembre-se que esses conflitos não são a resposta afinal, e sim a apresentação do problema. A partir disso, os personagens lutarão para superá-los ou encontrar outra solução até então ignorada.



b) Conflito Pessoal

São conflitos com outras pessoas. Alguém se coloca diante do personagem e seu objetivo, com clara intenção de impedi-lo. Ou talvez simplesmente está no lugar errado, na hora errada.

O mais básico dos conflitos pessoais nas histórias ocorre entre heróis e vilões.


Exemplo:

Professor Xavier quer unir humanos e mutantes > Xavier convoca os mutantes e prega sua causa aos humanos > Magneto quer que os mutantes dominem os humanos e convoca mutantes para seu grupo "terrorista" e ataca os humanos.


Mas podemos criar inúmeras situações diferentes. Por exemplo, conflitos entre parceiros:

Kira quer um parceiro para usar em suas táticas de assassinato > Kira resolve usar Misa > Misa é tapada e descuidada, atrapalhando seus planos.

Nana quer ser amada por alguém > Nana se encontra com um homem que conhece por acaso > O homem é casado e não a ama.

Roscharch quer colocar os Minutema na ativa novamente > Rorcharch visita cada ex-membro do grupo para convocá-los > Todos estão vivendo outras vidas e recusam ao chamado.

Obi Wan quer resolver uma missão > Obi Wan sai para a missão com seu discípulo Anakin > Anakin é insubmisso, impulsivo e arrogante, colocando a vida de ambos em risco.


As pessoas são antagonistas uma das outras, mesmo no sentido mais figurado e indireto da palavra. Podem estar presentes em lutas, no ambiente de trabalho, dentro de casa. Pode ser uma batalha para salvar o mundo ou em uma discussão entre marido e mulher para decidir quem levará a louça.


c) Conflito Extra-pessoal

O obstáculo não são pessoas, mas sim uma organização, uma entidade pública, um governo, uma força superior, um exército, o mundo, a natureza, deuses, o "azar".


Exemplos:

Luke Skywalker quer vingar sua família que foi assassinada > Luke parte para o espaço com Obi Wan para lutar contra quem matou sua família > Luke precisa enfrentar o Império Galático.

Spiderman quer salvar as pessoas > Spiderman salva as pessoas > O Clarin Diário mostra o herói como uma ameaça pública, colocando a política contra ele.

L quer parar o assassinato de criminosos > L investiga os assassinatos > Descobre que existem deuses da morte envolvidos na história.

Keichi e Belldandy querem ficar juntos > Kenchi e Belldandy vão morar juntos > O céu vira um caos e os deuses superiores ordenam o retorno de Belldandy à sua função celestial.

Frodo quer destruir o Anel do poder > Frodo vai até a montanha destruir o Anel > Sauron coloca todo seu exército de criaturas monstruosas atrás de Frodo.

Leônidas quer proteger seu povo da invasão persa > Leônidas leva seus soldados à guerra > Leônidas precisa enfrentar um exército gigantesco, contando com apenas 300 homens ao seu lado.


Podemos ainda mencionar muitas outras possibilidades de conflitos extra-pessoais. Terráqueos em mundos alienígenas, igrejas e seus fiéis rebeldes, um messias não compreendido pelo mundo, um robô inteligente e os humanos, um operário lutando judicialmente contra a empresa onde trabalha, um viajante do tempo jogado em uma época diferente.

Mas lembre-se de que se uma organização estiver contra o personagem, não significa que os membros dessa organização também estejam. Eles apenas cumprem ordem. Por isso não é um conflito interpessoal. No entanto, durante o enredo você pode inserir um personagem dentro dessa organização que encarna esse antagonismo e representa os interesses do grupo ao qual ele pertence. Também pode inserir um que vá contra essa organização e se alia ao herói.


Exemplo:

Em Blade Runner, Deckard está caçando replicantes amotinados. Ele está lutando contra um grupo que defende seus próprios interesses. Porém, Roy, o líder do grupo, surge como o epicentro do motim, aquele que tem em si todas as convicções pessoais defendidas pelo grupo. Dentro da narrativa, a questão filosófica dos replicantes é mostrada por ele.

Já em Star Wars, Darth Vader, que antes pertencia ao Império Galático e defendia seus interesses, decide se voltar contra o Imperador e ajuda Luke.



Objetivos e conflitos são o motor de uma história. É através deles que conhecemos verdadeiramente os personagens que estão por trás da caracterização apresentada no início da narrativa. É o conflito que faz o personagem se esforçar, se superar e continuar se movendo. Que graça teria se nossos personagens conseguissem tudo o que quisessem sem esforço algum?


Desafio: Você tem algum exemplo destes três níveis de conflito? Conhece algum tipo de conflito que não foi mencionado aqui? Compartilhe conosco, comentando ali embaixo. Ajudem a enriquecer o post.

Isso é tudo.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Segredos em uma história




Olha quem chegou com um novo post para vocês.


Sabe aquele seu segredinho que ninguém conhece? Uma opinião que nunca deu, um ato que jamais confessou ou aquele sentimento sufocado que ninguém sabe? Bem, você não é o único. Todo mundo guarda seus segredos, muitas vezes até de si mesmo. Seja por vergonha, conveniência, auto-proteção ou segurança.

Mesmo em níveis menores, sempre nos preservamos o direito de esconder ou "trocar" informações pessoas dos recém-conhecidos, principalmente na internet.

E por que nossos personagens deveria ser diferentes?

Nas histórias, os segredos dos personagens são fundamentais para construir um relacionamento realista entre eles e uma carta na manga para o autor tornar a trama mais instigante, deixando aquela coceirinha na cabeça do leitor: "será que agora ele vai confessar?", "será que dessa vez ela finalmente vai ser descoberta?".

Mas como assim, "os segredos são fundamentais para um relacionamento"? Não é um contrassenso? Sim e não. Os personagens, em sua grande maioria, devem crescer, amadurecer e aprender algo ao longo da história. O relacionamento entre eles também deveria ser algo a ser construído aos poucos. Uma das coisas mais precárias nos primeiros passos do relacionamento entre duas pessoas é a confiança.



Perscrutando a persona

Segundo a psicologia analítica (de Carl Jung), as pessoas aprendem, desde seus primeiros contatos com a sociedade, a desenvolver sua "capa protetora", a persona. Esta nada mais é que uma função psíquica que desenvolvemos para nos adaptar ao meio que nos cerca. Desde a infância, se percebemos determinada característica em nossa real personalidade que não agrada a sociedade, nós a escondemos.
Muitas vezes isso se aprende com traumas, agressões e rejeição. O contrário também é válido; se descobrimos que algo é muito valorizado pelas pessoas ao nosso redor, procuramos aprender e nos adaptamos àquilo para agradar e ser aceito. É um jogo de sobrevivência na selva da adaptação social, onde as personas mais fortes e convincentes sobrevivem.

Porém a persona prejudica nossos relacionamentos. Enquanto ainda não nos damos conta disso, é ela quem se apresenta às pessoas. É com a persona do amigo o colégio que você se relaciona, e não com a pessoa propriamente dita.

Pare e pense: quantas vezes você já se deparou com situações em que seus amigos se mostraram completamente diferentes daquilo que você estava acostuma a conviver? Quantos conhecidos não mostram um lado mais sensível, triste, solitário ou até mesmo cruel, que você nunca tinha vista antes?

Quantos casais vivem juntos há anos sem sequer arranhar a superfície da persona um do outro?

Vivemos em um teatro onde cada um representa o papel que melhor lhe apetece, procurando agradar o maior número de pessoas à custo de sua integridade e autenticidade. Como em um reality show, só que sem o "glamour" das câmeras.



A vida imita a arte

Nas histórias, esse conceito pode tornar uma trama simples e tediosa em algo muito mais interessante. Tomemos como exemplo a série romântica japonesa Karekano (Kareshi Kanojo no Jijou). É a típica história de romance escolar entre garota atrapalhada e garoto exemplar. Mas o grade diferencial no início são os segredos ocultos.

Os primeiros capítulos giram em torno do conflito entre a persona e a consciência dos personagens principais, Yukino Miyasawa e Arima Soushirou. Ambos escondem suas facetas obscura sob uma identidade falsa, construída para que fossem aceitos e bajulados. Acompanhamos a história pelo ponto de vista de Miyasawa, logo, conhecemos todos os segredos que ela esconde dos demais personagens e nos divertimos com as complicações de sua vida dupla.

No entanto, quando ela fica intrigada com seu rival, Arima, percebemos que ele também guarda segredos, mas não sabemos qual (acompanhamos a história pelo olhar dela, lembra?) até que ele resolve contar tudo para a garota. Isso é uma técnica eficaz e muito usada para surpreender tanto os personagens quanto o leitor.

Outro exemplo de série que utiliza muito este recurso é Supernatural. Desde o início vemos um Sam escondendo seu "lado negro" do irmão, que, por sua vez, esconde o que precisará fazer a respeito. Muitas vezes nem o público sabe qual segredo eles estão guardando, mas é perceptível pelo olhares e tom de voz que estão mentindo ou que não querem dizer algo importante.



Crescendo

Mas não é porque este comportamento é "natural" do ser humano que devemos seguir este modelo do início ao fim da história Como disse antes, os personagens devem crescer, e esse é um bom aspecto para trabalhar a evolução deles. Você pode fazer com que aos poucos mudem de atitude e aprendam que melhor do que se esconder é se mostrar e deixar que as pessoas o conheçam e o ajudem a amadurecer.

Algumas das melhores histórias já contadas são sobre a construção de um relacionamento que começou da total desconfiança e atingiu a plena confidencia. É quando uma pessoa passa a considerar a outra mais importante do que seus próprios medos e receios (medos esses que a fizeram construir a persona). Quando o medo não existe mais, tudo o que foi feito por causa dele se desfaz. Nesse instante, ela está pronta para se tornar um herói.



Isso é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Clichês: Yaoi


People! I return!
Olá a todos e sejam bem-vindos ao mais novo post aqui do Dicas.

Hoje vim falar de histórias gays. Yaois para falar a verdade.

Vou começar falando que nem sempre um clichês é algo ruim, repreensível e que você nunca deve usar um deles na sua história. Os clichês podem ser úteis em infinitas situações e até se encaixarem perfeitamente no texto, principalmente se o autor souber usar.
Como já mencionei acima, nesse post será focado os clichês do gênero yaoi.

Yaoi, para quem não sabe, é uma palavra em japonês que se refere a histórias, animes, fanarts, etc., com conteúdo homossexual (homem/homem). É equivalente a boy's love (BL), termo que também classifica histórias do gênero, e slash, termo mais usado em fanfics estrangeiras. Um gênero muito popular entre o mundo das fanfictions e mesmo entre escritores publicados, talvez também por conta disso, é alvo da criação de toda uma variedade de clichês.


Seme homem, uke mulher: para quem não sabe, seme é o termo referente em japonês ao ativo na relação. Uke, por sua vez, é o passivo.

Embora obviamente sejam homens na história, muitos escritores têm uma tendência a fazer essa associação. O seme é o machão, aquele que nunca chora, que é grosso, que não demonstra seus sentimentos. E, é claro, o ativo durante o ato sexual. Já o uke é emotivo, doce, muitas vezes tímido; é aquele que cora, que chora, que suspira apaixonadamente.

Acredito que isso aconteça, entre outras coisas, pelo motivo original da difusão do gênero no Japão. As mulheres de lá, reprimidas, vivendo numa sociedade bastante machista, acabaram vendo no yaoi uma forma de narrar histórias de amor, românticas de um modo geral, mas nas quais ambas as partes se tratassem de igual para igual. Isso explica por que os ukes nos mangás quase sempre possuem traços femininos físicos e de personalidade. No entanto, apesar de ser menor, mais delicado e sensível que o seme, na relação está numa posição de poder equivalente à dele, não abaixo.

Contudo, apesar da justificativa louvável dessa representação, ela raramente reflete uma situação real na história, seja em mangás ou fanfics. Vira uma relação quase heterossexual, na qual o uke é uma mulher com um pênis.


"Ele beijou seu peito branco e lisinho...": homens totalmente sem pelos. Quem nunca viu um, não é? Acho que essa é mais por conta de uma idealização que as pessoas têm especialmente com o uke, já que "ele é a mulher". Peito liso, barriga lisa, vi até histórias em que eles não tem pelos nas pernas. Gente, que isso? Essa é a questão de bom senso. Homens têm muito pelo, inclusive em lugares que prefiro não comentar.
"Mas, Ana, o meu PP se depila!". Aí tudo bem, aceito, mas duvido muito que todos os caras de todas as histórias yaoi depilem. Francamente.


Fulano é seme, Ciclano é uke: e isso nunca muda. A maioria das histórias tem isso como verdade, até por causa do primeiro item, e aí as atitudes, falas, tudo do personagem fica condicionado a isso. O seme nunca pode chorar, porque isso não é do feitio dele, tem sempre que se mostrar forte, duro, coisas que o uke não pode ser.
O nome do casal muitas vezes é definido com base nisso, vindo o nome do seme primeiro e, mesmo durante o lemon, essa "hierarquia" se mantém inalterada. Tem gente que até repudia autor que troca as posições do casal, porque isso é errado, porque é estranho, porque é inimaginável ver Ciclano como seme.
Gente, sério. Nem vou comentar sobre um relacionamento gay real, que não funciona bem assim, porque o foco é mais nas histórias. Mas a verdade é que rola até um preconceito de leve nesse clichê. O cara que é a "mulher" está privado, a partir daí, de ser o "homem" e fim de papo.


"O menor o olhou quando o maior fez que sim": esse acontece em fanfics em geral, mas é mais frequente em histórias yaoi (acredito também que a ideia tenha sido disseminada a partir delas). Ninguém precisa fazer toda e cada frase citando os nomes das personagens quando for se referir a elas mas muitos autores criam tantos nomes alternativos que acabam substituindo os nomes reais com eles e a história fica confusa.

"O menor não gostava de ver o maior daquele jeito."

"O loiro avistou o moreno ao longe e acenou."

"O de olho azul piscou e o de tranças riu."

Não dá para imaginar decentemente a história assim, sério. Ainda mais se for num lemon. Esses adjetivos complicam, não ficam visualmente bonitos e não são muito explicativos. E se a pessoa não conhecer bem o fandom para saber que personagem é menos que o outro? E fica sem entender nada da história.
E nem vou comentar o fato de "o menor" sempre ser o uke e "o maior" o seme, porque ai voltamos outra vez ao primeiro item.


Todo mundo é gay: em boa parte dos yaoi, por algum motivo, todo mundo é gay. O uke é gay, p seme é gay (óbvio), o amigo do uke é gay, o primo do seme é gay, o cara da padaria onde eles foram comprar pão é gay. Não vejo sentido nenhum nessa. Sua fanfic pode ser num internato, num hotel, num hospital, mas não existe nenhuma pessoa heterossexual, bissexual que seja? Bom senso, bom senso.
E isso já é tão intenso entre as fanfics yaoi que, às vezes, quando aparece um personagem masculino novo na história, os leitores já assumem que ele é gay. Ou tem que ser. Precisa ser! E se o seme ou uke tem um irmã? Incesto já!
Cadê as mulheres normais? (fora o fato de praticamente não existirem, porque, além de todo mundo ser gay mulheres em fanfics yaois são banidas da face da Terra) As personagens femininas da história se encaixam em três categorias: a fujoshi, a lésbica e a vadia-que-vai-atrapalhar-o-yaoi-e-todo-mundo-vai-odiar. Acho bem irreal, já partindo da primeira. Nada contra fujoshis (até por que eu sou uma e não posso e nem quero fazer nada para mudar isso), mas tem sempre aquela personagem que vê os amiguinhos se pegando no yaoi e pira. Sai gritando, falando coisas inapropriadas, fazendo apologia em fanfics.
Ou então a menina lésbica. Porque é uma consequência, o cara é gay, a amiga dele tem que ser lésbica. Só assim para a personagem entender as coisas, só assim para ela aceitar.
E, por último, tem a personagem feminina que só está lá para causar na história e fazer todos os leitores a odiarem até o fim dos tempos porque ela "atrapalha o yaoi". Às vezes ela nem atrapalha, mas só o fato de ter uma garota na história e não um cara (gay) é motivo suficiente para ela ter o ódio eterno e declarado de todo mundo.
E 95% dos leitores/autores de yaoi é mulher! Lógica, onde está você?


Que falta de preconceito: ainda no meio da realidade alternativa em que se passa a maioria das fanfics yaoi, é muito comum se deparar com esse item. O casal fica junto, se pega na rua, entre amigos, num jantar de família e todos estão okay com isso. Claro que seria lindo se as coisas fossem assim de verdade, mas é uma ideia tão utópica que chega a ser desconcertante.
Nem todo mundo aceita homossexualidade. É um tema polêmico, como religião, política, e deve ser tratado como tal. Sua história pode não se focar nisso, não chegar nem perto, mas daí se inserir num universo cor-de-rosa em que ninguém tem preconceitos. É quase como quinto item, no qual todo mundo é gay.


E quando tem incesto? Um mundo que aprove homossexualidade cem por cento é aceitável perto de um que aprova inteiramente incesto. Quer dizer, chega a ser crime em alguns países. Por que fazer isso com a sua história? O conflito pode deixá-la mais interessante, mais densa, mais atraente de um modo geral. E uma dose de realidade não faz mal a texto algum.


Existem outros clichês (infinitos deles), mas esses foram o que eu considerei piores. Repito que não tem problema usá-los em seus textos, quem lê mangás publicados mesmo ou assiste a animes com certeza já presenciou os sete ao menos uma vez. A questão é, como quase tudo na escrita, tem que saber dosar esse uso.

Isso foi tudo por esse post.
Até o próximo.
Beijos da Ana.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Como escrever um enredo policial


Heio people!
Estou de volta com um novo post de "como escrever" após ter a mais nova ideia do que falar aqui.

Já vi perguntas do tipo:
"Como escrever um bom enredo policial?"
E também: "Como explorar o ponto de vista tanto dos policiais quanto dos criminosos, como demonstrar tanto o lado da ação quando o lado mais científico das investigações?"

Dears, não tema. Estou aqui para ajudar e (ao menos tentar) responder essas perguntas.


Primeiramente, vamos recapitular: O que é enredo?

"No contexto narrativo, enredo é o encadeamento dos fatos narrados em um texto, um dos elementos da estrutura de um romance, de uma novela ou de um conto. É o conteúdo em que a narrativa se constrói. É a trama, é a sequência dos fatos, são as situações vividas pelos personagens durante o desenrolar de uma história.
O enredo apresenta diversas características. A partir do enredo pode-se chegar ao tema, que é o motivo central de uma narrativa. O enredo apresenta situações de conflito entre os personagens, criadas para se obter dramaticidade no texto. O clímax é o momento de maior tensão dramática de um enredo, isto é, o momento em que o conflito atinge sua maior dramaticidade. O desfecho de um enredo é o momento em que os conflitos são solucionados."


"Isso daí eu aprendi na escola! Me fala logo como escrever um enredo POLICIAL para eu correr e escrever a fic dos meus sonhos!"
Calma pequeno gafanhoto. Recordar é viver.


Sabendo o que é enredo, ou pelo menos, recordando, vamos ao que interessa.

Como uma louca por séries e, principalmente, séries policiais, decidi abordar o assunto com base no que conheço (e um adicional de pesquisas é claro).

O que todo escritor busca - ou deveria buscar - é uma forma de criar um enredo envolvente e interessante, fazendo com que o leitor se sintonize com a história, louco por mais e mais capítulos. Com um enredo policial não é nem um pouco diferente. Vocês vão perceber que existem algumas "fórmulas" de enredo policial que geralmente fazem sucesso - se você não gosta de clichês, provavelmente deve evitar esse tipo de construção - e que vou citar ao longo do texto.
Para começar a explicação, decidi trabalhar com duas vertentes separadas: as originais e as fanfics. Pode parecer estranho fazer tal separação, mas logo logo você vão entender o porquê.


Primeiro, as originais - já que elas vão requerer uma explicação relativamente mais complexa que as fanfics.

Antes de mais nada, você tem que estabelecer alguns objetivos para poder desenvolver sua história da melhor maneira possível. Como não vejo nenhuma outra maneira mais fácil - ou mais didática - de iniciar a explicação, vou criar um esquema de perguntas e respostas para orientá-los.

Comecemos pelo "esqueleto" da história, que será a base do tão sonhado enredo.


1) Sua história será em algum lugar real ou fictício?

Se for em algum lugar específica, como Estados Unidos ou Brasil, por exemplo, você deve fazer uma boa pesquisa sobre como funciona o sistema penal do lugar. Além do sistema penal, é interessante estudar a forma como a polícia se organiza, e se possível, dar uma olhada em jurisdições. Pode parecer trabalhoso - e por muitas vezes, é de fato -, mas o mínimo de pesquisa é primordial. Imagine uma história que se passa no Brasil, em pleno ano de 2016, onde um ladrão de galinhas vai preso e condenado à prisão perpétua? Absurdo, não? Você não quer correr o risco de cometer um erro - ou uma gafe, como essa do exemplo - na sua história, não é mesmo?

"Nossa, que difícil. Mas minha história é em um lugar fictício."

Pois então, gafanhoto. Sente-se e respire fundo. Você var ter que bolar tudo aquilo que não quis pesquisar. Afinal, se é um enredo policial, precisa se passar em algum lugar e todo lugar tem leis, correto? E também um sistema que julga aqueles que fogem a essa lei. Então, boa sorte. Não tem que criar uma constituição nem nada disso, mas é de suma importância você criar um âmbito para que a lei possa agir e, consequentemente, a história acontecer.


2) Sua história se passará no presente, passado ou futuro?

Tão importante quanto a primeira pergunta, é essa segunda. Você tem que ter muito claro em sua cabecinha tão cheia de ideias o período em que sua trama ocorrerá. Fictícios ou não, as leis mudam ao longo dos anos, bem como a criminalística, as áreas forenses, as tecnologias e praticamente tudo aquilo que está presente num enredo policial. Escolha um período, pesquise sobre como funcionava tudo aquilo discutido na resposta da primeira pergunta e se adeque ao contexto. Nada de pistolas semiautomáticas no século dezoito, certo?
No caso da história fictícia isso pode não ser tão rígido, mas essa ideia de que as tecnologias, leis e a própria estrutura da policia mudam com o tempo é sempre a mesma. (A não ser que você crie uma história onde tudo funcione da mesma forma desde sempre e nunca mude, o que faz com que essa segunda resposta seja completamente inútil para você).


3) Sua história vai ter o enfoque principal no(s) policia(ais) ou no(s) bandido(s)?

Essa é uma divisão clássica nas histórias policias. Em geral, o autor escolhe um dos "lados" e desenvolve sua história com a perspectiva dessa lado em questão.
Eu particularmente sou adepta da tal divisão, mas é claro que você pode adotar os dois lados e contar com uma "visão dupla". No entanto, o grau de dificuldades desse tipo de história é relativamente maior, visto que requer mais detalhes de ambas as partes.
Geralmente quando se escolhe retratar o lado policial, a parte técnica da criminalística é muito mais evidente. Também ganha destaque nessa vertente o mistério, a ação, a investigação e a resolução (ou não) de crimes. No lado criminoso, ganha destaque o crime em si, o próprio bandido, o porquê do crime, ser pego pela policia ou não e as variantes.
Não existe um "lado melhor". Nem um lado "mais fácil". Os dois são igualmente interessantes e ambos requerem certas pesquisas para aprofundar mais certos detalhes do texto.



Por ora, você deve ter tudo isso planejado. Tem que saber responder essas três perguntas. Elas são a base de sua história. Sem isso, nada vai se desenvolver com fluidez.

"Tudo bem, tenho tudo pronto. Já sei o que quero. Mas... e agora?"

Bem, meu jovem gafanhoto, agora vem uma parte fundamental para toda história policial: a criminalística.

"Hã? O que é isso? É de comer?"

Não, querido gafanhoto. Criminalística é a disciplina que reúne os conhecimentos e técnicas necessários à elucidação dos crimes e á descoberta de seus autores, mediante coleta e interpretação dos vestígios, fatos e consequências supervenientes.

"Ainda não entendi."

É a investigação e a "parte técnica", meu querido. Duas coisas com tantas possibilidades a serem exploradas que você pode ficar até tonto.

Falando da parte técnica - ou mais "científica" - em si, existem autores que exploram bastante essa área, dando grande destaque para ela, que por muitas vezes resolvem os crimes por si só. Um ótimo exemplo é o seriado Bones, onde a história baseia-se na parceria entre um agente especial do FBI e uma antropóloga forense. Rizzole & Isles é um outro exemplo interessante, onde as protagonistas são uma legista e uma detetive da delegacia de homicídios.
Você pode escolher como a criminalística vai interferir na sua história e como ela vai auxiliar a investigação: com muito ou pouco destaque, com a boa eficiência ou não e etc.
Citando somente alguns exemplos do que você poderia usar, se o contexto permitir, na sua história... Você tem: DNA, reconhecimento facial, retrato falado, balística, conhecimentos médicos, conhecimentos químicos, conhecimentos físicos, banco de dados de digitais, análise de fotos, uso de luminol e etc. O céu é o limite.

PS: Só tome o cuidado para não dar tanto destaque a essa parte "científica" e se esquecer da investigação. Pode não parecer, mas muitos se empolgam com essa parte e basicamente resolvem todos os crimes sem uma investigação decente. Ou então, quando a investigação empaca, vem algum dado científico do céu e resolve todos os problemas. Quem nunca assistiu um "CSI da vida" que o crime foi solucionado com um "banco de dados de impressões deixadas pelo seu pneu tal"?

A investigação também é uma área a ser amplamente explorada, onde você pode usar e criar técnicas de investigação. O mistério da solução de um crime está aqui. Se quer mistério na sua história, essa é a chave do sucesso. Busca de pistas, escutas, entrevistas com testemunhas e informantes, policiais trabalhando à paisana e até mesmo a tortura: tudo isso e muito mais ~soa técnicas de investigação utilizadas, interessantíssimas, e que sempre podem ser bem trabalhadas. Também existem os "Sherlock Holmes" da vida que resolvem muitos crimes na base dos seus conhecimentos ninja-dedutivos.


Agora, vamos finalmente as fanfics. O mínimo do mínimo é o seu domínio a respeito da obra original. Saber os locais, como descrevê-los, conhecer os personagens e suas personalidades, como se desenvolve a trama policial original, as técnicas de investigação utilizadas e todos esses pormenores um tanto complicados na hora de se desenvolver a trama. Tendo isso em mente, você tem três possibilidades:

Criar um universo alternativo e, consequentemente, ter que utilizar as três perguntas anteriores;
Seguir o mesmo universo e os mesmo crimes, contudo, alterando as ações e o curso da história para evitar o temível plágio;
Seguir o mesmo universo, mas com crimes de sua autoria.

Escolhendo qualquer uma das três possibilidades é só desenvolver o seu enredo. Seguindo as "limitações" do seu universo e desenvolvendo sua história a partir das informações que você já tem.

"Agora eu tenho todo o esqueleto da minha história pronto. E agora?"

Que bom que perguntou, gafanhoto.
Tendo tudo isso pronto, você praticamente está com sua história prontinha. É só brincar com gêneros e possibilidades para criar o enredo. Confesso que as explicações estavam mais focadas para a parte "policial" da coisa, e não do ponto de vista de um criminoso, mas essa reta final vai abranger as duas partes.



O que é indispensável em um bom enredo policial?

Sem dúvidas, o mistério e a ação. Toda a emoção está em ver um crime ser cometido, investigado, solucionado, a perseguição do criminoso e etc. Um toque de drama também é indispensável. Notem que todas as histórias policiais, por mais que tenham romance, comédia, yaoi/yuri, fantasia, ficção científica ou qualquer outro gênero, a ação e o mistério são elementos fundamentais e sempre presentes na obra.


O que pode ser explorado na narração da história?

Visando o lado "bandido", você pode sempre narrar o crime em questão, trabalhar todo um lado psicológico do seu criminoso, se ele é descoberto ou não, como ele encobre seus crimes, ou se não os encobre, se ele é perseguido pela policia ou não e etc.
Falando do lado "policial", você pode sempre narrar a descoberta do crime, o impacto que ele causa nas pessoas, conversas com as vítimas, a investigação, a frustração de um policial em sua incessante busca pelo autor de determinado crime, como seu trabalho afeta sua vida pessoa e etc.
Além de tudo isso, você ainda tem a chance de trabalhar com conceitos de anti-heróis, protagonistas e antagonistas. Podem existir policias, juízes, promotores, informantes corruptos, por exemplo. Ou aquele policial que virou bandido. Ou bandido que é justiceiro. Enfim, são inúmeras as possibilidades.


O que deve ser evitado?

Sem dúvidas, os exageros. Como todo tipo de gênero, o policial tem seus clichês e, sobretudo, as formas não bem escritas dos seus clichês. No enredo policial, esse clichê mal escrito se chama exagero.
É algo recorrente ao gênero algumas da realidade. Um exemplo clássico são os policias que resolvem absolutamente todos os casos e em tempo recorde. Ou o laboratório que tem como extrair DNA e digitais de qualquer coisa, ou apresentar resultados de testes em minutos. Geralmente essas situações são produto de falta de pesquisa do autor, ou sua ansiedade em desenvolver o quanto antes a história.
Nas cenas de ação também ocorrem muitas falhas, como policias que nunca erram um tiro e tem a mira perfeita. Armas que nunca são recarregadas na narrativa, lutas em que o vencedor sai praticamente ileso e sem dores corporais depois, bandidos que são descuidados de seus crimes e mesmo assim nunca são pegos. Um lugar onde todos são corruptos ou todos são 100% bonzinhos. Histórias onde todos os crimes em qualquer lugar são resolvidos com subornos. E outras coisas do gênero.
Escrever um bom enredo policial é um processo trabalhoso, que requer muitos detalhes, onde busca-se um equilíbrio bacana entre investigação e "ciência", e esses são alguns "mecanismos" utilizados por alguns autores para de certa forma acelerar ou agilizar alguns momentos ha história. É uma questão um tanto polêmica, pois é algo recorrente nas obras do meio, e que são geralmente aceitas pelo grande público (apesar das duras críticas que essas situações recebem de uma parcela de leitores/espectadores).



E isso é tudo, meu caros gafanhotos. Com todos esses ingredientes juntos, você pode criar sua história que terá tudo para ter um bom enredo policial. Mas, como prometi anteriormente, eis aqui algumas fórmulas que sempre fazem sucesso em tramas policiais:

O casal. Sim, para os shippers de plantão, um casal sempre deixa a história mais interessante. Quem nunca shippou dois policiais que trabalhavam juntos? Ou um policial e um bandido? Ou dois bandidos? E o interessante é que eles não precisam estar necessariamente juntos. E, sim, isso faz muito sucesso. E está presente em quase todas as obras policiais. No meu mundo de séries, por exemplo, eu poderia citar novamente Bones (com o casal Brennan e Booth) e a série Law and Order SVU (com o "não-casal" Olivia e Elliot).

A comédia. Sim, a comédia é um elemento que faz certo sucesso em muito história policial por aí. Seja em um humor mais descarado e tosco, ou negro e sarcástico, o humor é algo que sempre angaria e agrada leitores e, de certa forma, dá uma leveza à história, tirando todo o peso dos dramas, dos crimes e etc. Dá um ar de descontração interessante. Poderia citar como exemplo as séries Brooklyn Nine-nine e The Mysteries of Laura.

"O bandido". Sabe aquele maldito bandido que aparece e é simplesmente mais esperto, o mais astuto, o mais foda, o mais perigoso? Pois é, esse cara. Tem sempre aquele bandido que aparece para marcar a trama. Geralmente é um cara que comete algum crime de modo excepcional e os policiais nunca conseguem pegar. É o cara que tira as noites de sono dos investigadores e enlouquece de raiva os leitores com a sua genialidade sobrenatural. Chega até a ser irritante. Muitas vezes esse bandido aparece e fica por muito tempo na história, poe sequestrar alguém, matar um personagem secundário e tudo o mais. Na maioria dos casos, esse cara é morto (porque se for preso, com certeza vai escapar e atormentar a vida de todo mundo até ser morto). Muitos autores abusam desse bandido, prolongando dolorosamente o enredo nas mesmas coisas, deixando-o repetitivo e chato. É legal esse bandido, mas uma hora enche o saco.

No caso do policial ser protagonista: ele ser sequestrado por alguém, ou quase assassinado, ou quando conspiram contra ele, fazendo com que ele perca (ou quase perca) se emprego e sua credibilidade, ou ser pego pelo criminoso que estava buscando e passa a correr um risco de vida. Enfim. Todos esses "quase" são um ibope danado. Todo leitor fica agoniado com o desenvolver desse tipo de situação, temendo pela vida do policial, querendo saber se ele vai dar a volta por cima ou não. É algo que rende muita história e prende muito leitor ao texto.

No caso do bandido ser protagonista: ele quase ser pego. Essa é a graça. O quase. O segredo é ele nunca ser pego. Não importa o quão difícil seja a situação: ele vai escapar no final. Porque a história depende de seus crimes. Se ele for preso, acaba a história. Um exemplo é a série Dexter. Narrada do ponto de vista de um serial killer justiceiro que trabalha como consultor da polícia. Se observarem na série, ele "quase" foi pego muitas vezes e além dos próprios dramas pessoas, passava por esses ocasionais "sufocos".

A conspiração. Oh, sim. Isso aqui rende muito e agrada muita gente. É aquele crime que veio de outro crime, que foi feito por alguém, com um pretexto "x". Enfim, são incontáveis possibilidades. Tem grandes corporações, máfias, governo, espiões, agências, agentes secretos, muita gente corrupta e todas essas coisas que as conspirações englobam.

Por último, mas não menos importante: a dupla de parceiros. Pois é. Dificilmente você encontra por aí um enredo que não tenha uma dupla de parceiros como protagonistas. Aquela "dupla da pesada" que sempre resolve todos os crimes juntos. Muito usada quando o autos busca adicionas um romance à história, cria-se duplas de parceiros onde sempre rola aquele clima. Ou apenas uma dinâmica diferenciada. Os leitores geralmente shippam muitos desses casais, por vários motivos, mesmo que os parceiros não fiquem juntos (resultando em toneladas de fanfics). Muitos autores gostam de formar como casal (seja no sentido romântico ou não) um policial e um "não policial", para dar um toque interessante, embora não abram mão da dupla de policiais também. Um exemplo divertido é o agente sênior do FBI Peter Burke e o brilhante falsificador Neal Caffrey de White Collar.


Espero ter ajudado. Agora realmente acabou.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.

Como fazer descrições




Descrição, de acordo com o dicio.com, é uma "caracterização detalhada, num processo, do que será analisado de maneira específica" (ou seja, quando você escreve sobre o aspecto físico de uma personagem sua, você está descrevendo-a). Há dois tipos de descrições: a objetiva e a subjetiva.

Descrição objetiva é quando o observador só apresenta o que pode ser visto por todos, deixando de lado suas impressões.

Exemplo:

"Sua camisa de botões está suja e prestes a rebentar, e a bermuda foi cortada logo abaixo dos joelhos. Não usa sapatos" (Craig Silvey)

Descrição subjetiva é quando o observador descreve o objeto da forma que ele vê, deixando suas impressões. É mais comum em histórias narradas em primeira pessoa.

Exemplo:

"Parece um náufrago numa ilha." (Craig Silvey)


É.... peguei os dois exemplos do mesmo livro.

Bem, de qualquer forma, descrever aparências ou não é uma opção do autor, isso é fato. No entanto, você não acha que algo importante para a trama merece sua devida atenção? E assim merecendo, também receber uma boa descrição?


Quando se deve descrever

Como uma espada em uma história de ação, por exemplo. Se ela for a arma do protagonista, você pode definir se ela é longa ou não, de que material parece ter sido feito, se tem arranhões, qual é a cor do cabo, etc. Mas se ela for a arma do vilão, todas essas descrições serão meio desnecessárias (porque eu acho que o protagonista vai estar ocupado de mais tentado desviar e/ou bloquear os ataques para ficar prestando atenção nos arranhões da arma que pode levá-lo à morte.

Isso também serve para quando se descreve lugares: se a personagem vai para um bar só para pedir um copo de água e nunca mais volta, não é necessário dizer qual o nome do bar. Não é nem necessário dizer que a personagem notou uma cicatriz no rosto do balconista, porque provavelmente ela nem vai se lembrar disso depois (a não ser que seja algo muito feio e traumatizante, diga-se de passagem).

Mas se for um bar que foi recomendado por alguém para que a protagonista receba uma informação importante para o enredo, pode fazer uma descrição básica. Dizer, por exemplo, que aquele ambiente cheirava a cigarro e que tinha lixo espalhado pelo chão não é uma má ideia. Mas caso o protagonista nunca mais volte àquele lugar, não exagere na descrição, certo?

Se você descrever muita coisa desnecessária (principalmente quando no final vai dar em nada), o leitor vai pular direto para a ação, porque vai estar de saco cheio. Não é muito legal saber que uma das pernas do banco onde o protagonista nem pensa em se sentar é maios do que a outra, e que o azulejo da parede tem quatro rachaduras. Tudo o que o leitor que saber é de algo que seja relevante para a história.

Dizer coisas como "o vilão que segurava a espada cinza tinha um metro e noventa, seus olhos eras castanhos, os cabelos eram loiros, ele tinha duas espinhas no rosto e uma no braço, que só estava visível porque dias antes ele havia rasgado as mangas de sua blusa de frio azul amassada, que fora um presente de seu padrinho na véspera de Natal de dois anos atrás." é totalmente irrelevante. Só se o vilão for importante e não morrer dois parágrafos depois, mas ainda, toda essa informação, é desnecessária. Principalmente num momento de vida ou morte, quando há uma arma apontada para a garganta do protagonista.

Uma vez li um livro onde o autor começou a narrar sobre o passado do antagonista. Na metade, já estava ficando chatinho ler sobre aquilo, mas eu definitivamente não pulei parte alguma. No final, toda aquela informação foi irrelevante para o enredo, e eu achei que foi uma benção o autor não ter começado a narrar sobre o passado do parceiro do antagonista. Mas eu acho que isso não teria sido feito, se qualquer forma, já que o parceiro nunca mais apareceu.


Como fazer boas descrições

Antes de tudo, quero que você tenha algo na cabeça: quase todo leitor gosta de usar a imaginação. Descrever de mais dá ao leitor uma perfeita imagem do objeto em questão (perfeita de mais, se me permite dizer). Como já dito antes, caso não seja algo relevante, as informações são desnecessárias.

Deixar parágrafos descrevendo a aparência e narrando sobre o motivo da criança perdida que tombou com o protagonista estar ali é... chato. Muito melhor deixar um pouquinho aqui, um pouquinho ali; pronto, o leitor já tem a sua personagem em mente. Descrições dosadas são melhores do que os parágrafos enormes, porque elas fluem naturalmente no texto, de forma tão linda que da vontade de abraçar.



Espero ter ajudado.
Por hoje é tudo.
Até o próximo post.
Beijos da Ana.